A capacitação de 42 policiais militares e de uma agente do Instituto-Geral de Perícias (IGP) que atuarão nas Patrulhas Maria da Penha terminou nesta quarta-feira (27), no Quartel do Comando-Geral da Brigada Militar. Esta foi a terceira edição do curso promovido pela Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP). O projeto visa qualificar o atendimento às vítimas de violência doméstica que estão amparadas por medida protetiva, ou seja, àquelas mulheres de quem o agressor tem que se manter afastado.
Comandante-geral da Brigada Militar, o coronel Fábio Duarte Fernandes disse que o objetivo é ampliar as ações da Patrulha Maria da Penha para outras unidades da Corporação. A estratégia faz parte das medidas de prevenção a agressões e mortes de mulheres, vitimadas por conflitos domésticos. "Também poderemos estabelecer parcerias com os municípios para que as equipes de saúde da família atuem conjuntamente, acompanhando as vítimas para que elas não voltem a ter problemas com a violência".
Comandante do 19º Batalhão de Polícia Militar e coordenadora estadual do projeto Patrulha Maria da Penha, a tenente-coronel Nádia Gerhard afirmou que o êxito da ação é confirmado pela receptividade das vítimas ao atendimento mais humanizado feito pela BM e por sua aproximação para o diálogo com os PMs. "As vítimas veem no PM a presença do Estado, atuando para a sua segurança e para a proteção plena de seus direitos".
Viaturas nos bairros
O projeto Patrulha Maria da Penha, iniciado em outubro de 2012, contava com apenas uma viatura para a ronda nos quatro Territórios de Paz de Porto Alegre, nos bairros Restinga, Rubem Berta, Santa Tereza e Lomba do Pinheiro. Agora, já é uma viatura para cada Território. O incremento veio na primeira semana de março, em alusão ao Dia Internacional da Mulher, quando o Governo do Estado entregou os três novos veículos. Nos cinco meses de atuação da Patrulha foram atendidas 570 mulheres, em pouco mais de 1,5 mil visitas. Cinco homens foram presos pelo descumprimento da medida protetiva.
Texto: Jussara Pelissoli
Foto: Osmar Nólibos/PM5-BM
Edição: Redação Secom
Fonte: SSP/RS
quinta-feira, 28 de março de 2013
quarta-feira, 27 de março de 2013
Somente em 2012 Mais de 630 Pedidos de Medida Protetiva Foram Enviadas a Justiça em Lajeado
No ano de 2012 a DPPA de Lajeado, cidade que possui aproximadamente 72 mil habitantes, realizou 576 autuações de prisões em flagrante, dentre as quais 60 ocorrências eram referentes à violência doméstica. Além disso, a DPPA de Lajeado encaminhou à Justiça a solicitação de mais de 630 pedidos de medidas protetivas, o que revela um aumento comparado aos anos anteriores quando foram enviados 278 em 2010 e 415 pedidos em 2011. O expressivo número de solicitação de medidas protetivas não significa que a violência contra a mulher aumentou, mas, sim, que ela saiu da invisibilidade e tem cada vez mais procurado por ajuda, declara Delegada Márcia Bernini.
A Delegada ainda observa, que as mulheres vítimas têm recebido dos órgãos estatais agilidade nas respostas quando solicitam apoio. Além da atuação em Lajeado, a DPPA realiza atividades em toda a 19ª Região Policial nos períodos em que não há expedientes nas cidades vizinhas à Sede, através de sua equipe Volante. Ao todo, soma um atendimento regionalizado a uma população de aproximadamente 300 mil habitantes, realizando deslocamentos sempre que necessário ao atendimento das ocorrências policiais. A DPPA também realiza um trabalho integrado com a DEAM e a rede de apoio à mulher. Além disso, a Polícia Civil também realiza diversas ações de conscientização e valorização da mulher na 19ª Região Policial.
Fonte: DPPA/Lajeado
Publicado em Site PC Civil/RS
Seminário (Re)Construindo as Relações Efetivas
Evento alusivo ao Mês da Mulher, o Poder Judiciário discutiu as relações afetivas nesta quarta-feira
O Juizado da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher promoveu hoje (27/3) o seminário Reconstruindo as Relações Afetivas. O evento, alusivo ao Mês da Mulher, foi realizado no Auditório do Foro Central (Rua Márco Luiz Veras Vidor, n° 10, 10º andar), em Porto Alegre, o evento foi aberto ao público em geral, com entrada gratuita.
Programação:
9:30 - palestra de abertura feita pela titular do Juizado da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Capital, Juíza Madgéli Frantz Machado.
10:00 - Universo Feminino - Psicóloga Rosane Machado.
9:30 - palestra de abertura feita pela titular do Juizado da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Capital, Juíza Madgéli Frantz Machado.
10:00 - Universo Feminino - Psicóloga Rosane Machado.
14:00 - Apresentação da Equipe Multidisciplinar do Juizado da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.
14:30 - Palestra Reconstruindo as relações afetivas - assunto de mulher? com a a Psicóloga Iara Camaratta Anton.
14:30 - Palestra Reconstruindo as relações afetivas - assunto de mulher? com a a Psicóloga Iara Camaratta Anton.
16:30 - Rede de Atendimento às Mulheres Vítimas de Violência com a Psicóloga Luciana Zaccolo Magalhães.
17:30 - Encerramento com a Secretária Adjunta da Mulher da Secretaria Municipal dos Direitos Humanos, Waleska Vasconcellos.
17:30 - Encerramento com a Secretária Adjunta da Mulher da Secretaria Municipal dos Direitos Humanos, Waleska Vasconcellos.
Pesquisa DataSenado: 66% das mulheres se sentem mais protegidas com Lei Maria da Penha
Passados quase sete anos de sua sanção, a Lei 11.340 de 2006, popularmente chamada de Lei Maria da Penha, incorporou-se ao repertório de informação das brasileiras, ainda que não esteja sendo plenamente aplicada. Pesquisa do DataSenado sobre violência contra a mulher constatou que, por todo o país, 99% das mulheres entrevistadas conhecem o seu teor ou pelo menos já ouviram falar da norma. Os dados foram apresentados nesta terça-feira (26) pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Quinto de uma série iniciada em 2005 para mapear os avanços e dificuldades vividas pelas brasileiras no combate à violência, o levantamento realizado em fevereiro mostra também que 66% das mulheres passaram a se sentir mais protegidas depois da publicação Lei Maria da Penha. Entre as mais jovens, esse índice chega aos 71%. Foram entrevistadas 1.248 brasileiras, com idades a partir de 16 anos, de todas as unidades da federação. Os dados incluem mulheres de diferentes níveis de renda, escolaridade, credo ou raça.
- A série histórica das pesquisas é instrumento de controle social e modelo de acompanhamento na aplicação das leis aqui aprovadas. Os índices de cada pesquisa retratam como a sociedade reage à lei e também como as leis podem mudar para melhor atitudes e comportamentos - disse o presidente.
Agressões
Apesar das mudanças, a pesquisa do DataSenado revela também que há um longo caminho a ser percorrido no combate à violência contra as mulheres. Os dados permitem afirmar que aproximadamente uma em cada cinco brasileiras reconhece já ter sido vítima de violência doméstica ou familiar provocada por um homem.
Segundo o DataSenado, é possível estimar, a partir dos dados, que 700 mil brasileiras continuam sofrendo agressões, principalmente de seus companheiros, e que 13 milhões das mulheres – 19% da população feminina acima de 16 anos de idade – já foram vítimas de algum tipo de agressão.
Em todo o país, as mulheres de menor nível educacional ainda são as mais agredidas – 71% dessas, entre as que foram entrevistadas, relatam aumento de violência em seu cotidiano, enquanto que 31% das vitimas ainda convivem com o agressor. A violência física predomina, mas cresce o reconhecimento das agressões moral e psicológica.
Contradições
A pesquisa do DataSenado expõe também contradições resultantes do processo de aplicação da Lei Maria da Penha. Apesar da maioria absoluta das entrevistadas reconhecerem a proteção advinda da Lei, 63% delas avaliam que a violência contra as mulheres tem aumentado. Por outro, foi apurado também que a proporção daquelas que já foram vítimas de agressões está relativamente estável desde 2009. Além disso, os resultados de 2013 sobre o conhecimento, pelas entrevistadas, de alguma mulher que já tenha sofrido algum tipo de violência foram equivalentes aos resultados de 2011. Os números da pesquisa demonstram ainda que para a população feminina as leis por si só não são capazes de resolver o problema da violência doméstica e familiar. Essa é a opinião de quase 80% das entrevistadas.
A análise dos pesquisadores do DataSenado, diante desses resultados, é de que, se os dados demonstram não terem crescido nem os percentuais de mulheres que admitem ter sido vítimas de violência, nem os percentuais de mulheres que afirmam conhecer vítimas, o grande volume de entrevistadas que acredita no aumento da violência doméstica e familiar contra a mulher, na verdade, indica um aumento do nível de conhecimento sobre o problema.
Denúncias
O levantamento revela que ainda há resistência por parte das mulheres em procurar algum tipo de ajuda após sofrerem agressões. Mais de 50% das entrevistadas que relataram ter sofrido algum tipo de violência afirmam ter buscado ajuda apenas após a terceira agressão ou não ter procurado ajuda alguma.
Em relação à última agressão sofrida, 35% das vítimas oficializaram uma denúncia formal, contra os agressores, em delegacias comuns, em delegacias da mulher ou na Central de Atendimento à Mulher (180). Pelo menos 34% das vítimas procuraram alternativas à denúncia formal, como a ajuda de parentes, de amigos e de igrejas.
O medo, registra o DataSenado, ainda é o maior inibidor das denúncias de violência doméstica. A dependência financeira vem em segundo lugar. A vergonha da agressão também é apontada como motivo para não denunciar, e é mais frequente conforme cresce a escolaridade e a renda das entrevistadas.
- A grande ajuda que devemos prestar às vítimas de violência é o alerta para a necessidade de denunciar a agrassão nas delegacias. Quando elas não denunciam, o Estado brasileiro não pode protegê-las ou coibir a violência - afirmou Elga Lopes, diretora da Secretaria de Pesquisa e Opinião, responsável pelo levantamento.
Mas a pesquisa do DataSenado trouxe uma boa notícia: Dados revelam que a maioria das mulheres já admite a possibilidade de que qualquer pessoa que tenha conhecimento de uma agressão física possa denunciar o fato às autoridades. Essa é a opinião de 60% das entrevistadas na pesquisa realizada este ano. Em 2011, apenas 41% admitiam a denúncia feita por qualquer pessoa.
Ranking
Em um ranking de 84 países, o Brasil é o sétimo no registro de assassinato de mulheres. Na América do Sul,o país só perde para a Colômbia e, na Europa, para a Rússia. Os números brasileiros desses assassinatos ainda são maiores do que os de todos os países árabes e de todos os africanos.
Metodologia
As pesquisas do DataSenado são feitas por meio de amostragem aleatória estratificada, com entrevistas telefônicas. A margem de erro admitida é de três pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa deste ano foi realizada no período de 18 de fevereiro a 4 de março.
Fonte: Agência Senado
Publicado em Agência Patricia Galvão
sexta-feira, 22 de março de 2013
Programa Mulher: Viver sem Violência pode ser um marco para a aplicação da Lei Maria da Penha, mas depende de adesão dos Estados
Na avaliação de entidades, ativistas e especialistas, o Programa Mulher: Viver sem Violência é um passo fundamental para a aplicação da Lei Maria da Penha no Brasil. Recém-lançado (no dia 13/03) pelo governo federal, o programa está sendo bem recebido por representantes de diversos setores envolvidos no enfrentamento à violência de gênero, diante da expectativa que estimule a denúncia e, ao mesmo tempo, melhore o acolhimento às mulheres.
Além de promover condições concretas para uma melhor e mais efetiva aplicação da Lei, a política pode representar a criação de um ambiente que permita o rompimento de situações de violência pelas próprias mulheres, que passarão a ser atendidas nas Casas da Mulher Brasileira, centros de referência que reunirão uma série de serviços, que incluem assistência social, atendimento psicológico, acesso à justiça e também qualificação e capacitação para geração de renda.
Para que isso se concretize, porém, é necessário que o programa saia do papel e conte com a adesão dos governos estaduais. Segundo informações da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM-PR), até o momento 15 governadores já manifestaram a intenção de implementar o programa em seus Estados.
Veja a seguir como especialistas de diferentes áreas avaliam o que o Programa Mulher: Viver sem Violência representa, no curto e médio prazos, para milhares de mulheres vítimas da violência no Brasil:
Reivindicação de três décadas
Maria Amélia de Almeida Teles, coordenadora nacional do projeto Promotoras Legais Populares. Tel.: (11) 3283.4040 - email: amelinhateles@globo.com
“A edição desse programa nesse momento representa uma resposta ao esforço de três décadas do movimento de mulheres pela criação de um espaço que atendesse de forma integral às mulheres em situação de violência. Ele pode ter um impacto enorme para mudar a vida dessas mulheres, pois elas vão ter condições de romper o que chamamos de rota crítica – o caminho fragmentado que a mulher percorre buscando o atendimento do Estado; ela hoje vai a vários serviços em busca de uma resposta sem, muitas vezes, obtê-la”. Saiba mais.
Símbolo contra a impunidade
Ana Rita Esgario, senadora (PT-ES) e relatora da Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) que investiga a violência contra a mulher. Gabinete: (61) 3303.1129 / email: ana.rita@senadora.gov.br
“O programa vem atender a uma necessidade de que as políticas possam ser executadas de forma integrada e articulada entre todos os poderes e órgãos. Integra no mesmo espaço físico todos os serviços relacionados aos sistemas de segurança, justiça, assistência social, e também da área de geração de renda e acesso ao mercado de trabalho. A existência dos serviços juntos e disponíveis é o símbolo da segurança. E a presença física desse centro em uma cidade tem uma simbologia muito grande de que a violência não será tolerada e isso acaba contribuindo no imaginário dos homens”. Saiba mais.
Concretização da Lei Maria da Penha
Wânia Pasinato, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da USP. Tel.: (11) 3022.6765
“O programa é a concretização da rede já prevista no marco legal brasileiro e atende a uma demanda do movimento de mulheres que vem desde os anos 1980. Ele concretiza essa rede, articula a atenção integral, intersetorial e multidisciplinar. E essa configuração vai direto ao ponto, que é justamente poder acessar todos os serviços em um mesmo lugar e ser recebida por profissionais que seguem um protocolo, que têm uma coerência nos encaminhamentos, que são orientados por um conhecimento compartilhado entre diferentes áreas”. Saiba mais.
Acesso à justiça
Lindinalva Rodrigues Dalla Costa, promotora da Comissão Permanente de Promotores da Violência Doméstica (Copevid) e primeira profissional a aplicar a Lei Maria da Penha no Brasil, em 2006. Copevid: (65) 9998.9173
“O programa é de suma importância para as mulheres, porque nós, dos Ministérios Públicos, entendemos que não conseguiremos combater e enfrentar a violência doméstica somente a golpe de leis – é necessária a implementação de políticas públicas que façam com que a mulher possa romper esse ciclo de violência. Temos certeza que essa iniciativa vai valorizar as mulheres e também dar mais confiança para que elas recorram à justiça”. Saiba mais.
Integração
Luciane Bortoleto, juíza e representante do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na Coordenação Nacional da Campanha Compromisso e Atitude pela Lei Maria da Penha. Tel.: (41) 3200.2259 - email: luciane.bortoleto@cnj.jus.br
“O programa é muito importante, uma vez que a gente fala em acesso a justiça no sentido amplo, mas o conflito da violência doméstica é multidimensional, ele tem outros nuances e fatores que precisam ser tratados por atores de outras áreas. Pensar no conflito em sua integralidade vai ser fundamental no sentido que você consegue acolher essa mulher, evitar que ela se disperse na procurar de serviços e que, nessa procura, o sistema possa perdê-la”. Saiba mais.
Justiça também na área social
Leila Linhares Barsted, advogada da ONG Cepia (Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação). Cepia: (21) 2205.2136
“A gente sabe que grande parte das notificações de casos de violência que chegam às delegacias acontece porque as mulheres sabem que existem os serviços de atenção. Então, com o apoio desses centros e a divulgação da existência deles, certamente as denúncias vão aumentar, as mulheres vão se sentir encorajadas. Os centros serão uma porta de entrada importante para que essas mulheres tenham acesso à justiça, seja a institucional, via Ministério Público, Defensoria Pública etc., seja à justiça social, já que uma parte grande da violência tem como complemento o não-acesso dessas mulheres a um conjunto de direitos previstos na Lei Maria da Penha, como o acesso ao trabalho”. Saiba mais.
Pacto federativo
Laurelle Araújo, defensora pública e representante do Conselho Nacional dos Defensores Públicos-Gerais (CONDEGE) na Campanha Compromisso e Atitude pela Lei Maria da Penha. Tel.: (31) 3270.3202 - email: laurelle.araujo@defensoria.mg.gov.br
“Creio que esse programa vai ser de grande valia para as mulheres vítimas de violência e, por isso, o governo federal e o estadual precisam andar de mãos dadas. Eu acredito que quando os diferentes serviços estiverem funcionando num mesmo local físico, há grandes chances de ser cumprida a Lei Maria da Penha de maneira plena, em tudo o que ela prevê”. Saiba mais.
Estímulo a boas práticas
Maria Ester Tavares, procuradora e representante do Conselho Nacional do Ministério Público na Campanha Compromisso e Atitude pela Lei Maria da Penha. Email: MariaEster@cnmp.gov.br
“O Programa pode auxiliar na propagação de boas práticas relacionadas à questão de gênero no judiciário brasileiro. A construção das Casas da Mulher Brasileira nas capitais do País aproximará o Ministério Público das mulheres vítimas de violência – o que certamente fará aumentar a qualidade da ação dos operadores de justiça nessa frente”. Saiba mais.
Alguns dados:
>> O governo federal deve repassar pelo programa R$ 265 milhões para serviços integrados de atendimento a mulheres em situação de violência nos próximos anos, sendo R$137,8 milhões, em 2013, e R$127,2 milhões, em 2014.
>> Os recursos serão aplicados na construção em cada capital do País de uma Casa da Mulher Brasileira – centros onde funcionarão serviços públicos de segurança, justiça, atendimento psicossocial e orientação para trabalho, emprego e geração de renda, segundo informações da Campanha Compromisso e Atitude pela Lei Maria da Penha. Prevê ainda a implementação de núcleos de atendimento às mulheres em regiões de fronteiras, aportes na humanização do atendimento às vítimas de violência sexual por profissionais da saúde e da segurança pública, e em campanhas de conscientização e prevenção à violência de gênero.
>> O custo médio de cada centro é estimado em R$ 4,3 milhões, incluindo construção e aquisição de equipamentos, e o governo espera atender cerca de 200 mulheres por dia e 72 mil por ano em cada um deles, segundo informações da Agência Brasil.
Fonte: Agência Patrícia Galvão
Iniciativa da CDH promove discussão sobre assédio moral e violência contra a mulher
O Seminário Assédio Moral e Violência Contra a Mulher aconteceu na manhã desta segunda-feira (18) no auditório do Centro Administrativo Fernando Ferrari. Promovido pela Comissão de Direitos Humanos da PGE-RS, o evento contou com palestras da Psicóloga do Trabalho da Secretaria Estadual de Saúde, Cláudia Magnus, e da Coordenadora do Centro de Referência da Mulher Vânia Araújo Machado (CRMVAM), da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Yara Regina Stockmanns. A atividade foi dedicada à memória da Secretária de Políticas para as Mulheres, Márcia Santana, falecida na quarta-feira (13).
A palestrante chamou a atenção para os valores que são passados de pais e mães para filhos e filhas. Valores que, muitas vezes, faz com que se conviva com a violência achando que isso é normal. Segundo Yara, "as pessoas exercem a violência quando as relações são desiguais, quando um cidadão ou cidadã é impedida de exercer seus direitos ou quando as opiniões são desrespeitadas".
Entre as formas de violência citadas pela Coordenadora do Centro de Referência da Mulher estão a violência doméstica e familiar, a violência física, psicológica, sexual, patrimonial e a violência moral.
A Procuradora-Geral Adjunta para Assuntos Administrativos da PGE-RS, Drª. Roselaine Rockenbach, intermediou as atividades. O evento foi organizado pela PGE, por meio da Comissão de Direitos Humanos, coordenada pelo Procurador do Estado, Dr. Carlos César D'Elia. Foram parceiros desta iniciativa a Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres, a Secretaria Estadual da Administração e dos Recursos Humanos, a Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos, a Secretaria Estadual da Saúde, a Associação dos Procuradores do Estado do RS, o Sindicato dos Servidores da Procuradoria-Geral do Estado do RS, e o Sindicato dos Técnicos Científicos do Estado do RS.
Fonte: SPM/RS
quinta-feira, 21 de março de 2013
Cresce número de queixas de racismo
Quase quatro anos se passaram e a copeira Sônia Maria Gomes, 47 anos, ainda carrega marcas do constrangimento de ser discriminada por causa da cor da pele. Em meados de 2010, Sônia ia de ônibus para casa quando, no meio do caminho, um passageiro levantou-se, cuspiu no rosto dela e a chamou de “negra safada”. “Depois disso, ele veio para cima de mim, como se fosse me bater. A minha sorte é que um homem impediu a agressão. Ele pediu ao motorista que não parasse o veículo e descemos direto na delegacia para prestar queixa”, conta Sônia. “Passei muito tempo sem andar de ônibus para me recuperar do medo e da vergonha pelos quais passei. O homem que me ajudou também é negro e ouviu xingamentos do rapaz que cuspiu em mim. Nunca pensei que a discriminação por causa da cor da pele pudesse chegar a esse ponto.” Quem agrediu Sônia hoje responde por injúria racial no processo que corre na Justiça.
Atitudes como a da copeira, de encarar a agressão como um ato de racismo e denunciar imediatamente, aumentam a cada dia. De 2011 a 2012, o número de queixas de discriminação racial feitas à Ouvidoria da Secretaria de Políticas e Promoção da Igualdade Racial (Seppir) praticamente dobrou, de 219 em 2011 a 413 no ano passado, um aumento de 88%. Este ano, a menos de uma semana do Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, comemorado em 21 de março, 78 denúncias foram registradas. Na internet, as reclamações contra sites com cunho discriminatório também é expressiva. Em 2012, a ONG Safernet, que recebe denúncias de violações dos direitos humanos na web, identificou 5.021 comunidades no Facebook que abrigavam conteúdo racista.
A quantidade de violações, no entanto, é bem maior. A Seppir não tem acesso ao número de queixas que chegam às delegacias de polícia do país. Só no Distrito Federal, por exemplo, no ano passado, as delegacias receberam 409 denúncias, sendo 402 de injúria racial e sete de racismo. Quase o mesmo número de denúncias que a secretaria nacional recebeu em todo o ano passado.
Para o coordenador do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade de Brasília (UnB), Nelson Inocêncio, o aumento das denúncias está vinculado ao momento em que o país vive, de intenso debate sobre a diversidade racial. “Esse aspecto, porém, tem um preço. A criação de políticas focadas na população negra cria do lado conservador uma sensação de incômodo em relação ao movimento (das organizações sociais)”, avalia.
A professora da Faculdade de Educação da UnB e coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisa em Políticas Públicas, História, Educação das Relações Raciais e de Gênero (Geppherg), Renísia Garcia, crê que o aumento das denúncias está relacionado com a visibilidade da população negra e, principalmente, com a conscientização das pessoas. “Poucos ousam dizer que não há racismo no país, mas muitos ainda não aceitam que são racistas. Assim, apesar do aumento das denúncias, a cultura do racismo permanece e germina nas contradições.”
De acordo com o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 43,1% dos 190 milhões de brasileiros se consideram negros e 7,6%, pardos. Segundo a pesquisa “Mapa da Violência: A cor dos homicídios”, houve aumento de 29,8% no número de assassinatos de negros entre 2002 e 2010. Proporcionalmente, para cada branco morto, dois negros foram assassinados.
Disque-Racismo
Para centralizar as informações, a Seppir estuda lançar neste ano o Disque-Racismo. “Será um número gratuito (de telefone) que funcionará não só para crimes na internet, mas, também, para racismo institucional, policial, atos de violência contra juventude negra, quilombolas”, disse o ouvidor da Seppir, Carlos Alberto Junior. Na capital federal, um canal de comunicação desse tipo já está pronto e será lançado neste mês.
A subnotificação, segundo o assessor da Seppir Marcos Willian, foi um dos motivos para a secretaria ter aberto consulta pública para a criação do Sistema Nacional de Igualdade Racial, projeto do qual é coordenador. “Com o sistema, procuramos organizar e articular melhor as políticas de promoção da igualdade racial. Pretendemos atrair estados e municípios a criar sistemas de gestão e organizar políticas de forma sistemática com eles. Assim, as informações são interligadas”, explica. O Sinapir está recebendo colaborações da sociedade civil por meio do site www.seppir.gov.br.
Fonte: Correio Braziliense
Publicado por Agência Patrícia Galvão
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